quinta-feira, fevereiro 11, 2010

SINTO-ME ENVERGONHADA

Cada dia que passa sinto-me mais envergonhada de viver no país onde vivo. As notícias diárias deixam-me cada vez mais deprimida. E triste! Sinceramente, não sei onde vamos parar...
Quem nos governa, precisava era de um governo para os governar a eles. Mas um governo a sério! Um governo que desse o exemplo daquilo que se pede ao país.
Apelidar de demagógica e populista a ideia de se mexer nos salários dos políticos bem como o abdicar do 13º mês é, no mínimo, estranha. Ninguém gosta de perder regalias ou de abdicar do que é seu por direito, mas quando se opta pela filosofia 'faz o que eu digo, não o que eu faço' está tudo dito.
Tenho vergonha de viver num país que se arrasta cada vez mais, onde aqueles que nos devem representar são os primeiros a dar os maus exemplos, onde a cada dia que passa fecham mais empresas, onde ao que parece já quase nem se pode falar com o medo de represálias.
Fazem-se discursos bonitos, aclama-se a liberdade, pede-se compreensão e união. Foi assim nas comemorações do 31 de Janeiro. Pena que sejam apenas discursos. Pena que ao invés de se servir a República, haja quem tão bem se sirva dela.

6 comentários:

Keratina disse...

Só tenho pena é serem sempre os mesmos a pagar "os buracos" e os erros desses governos que precisavam de ser governados.
Já somos muitos, os tristes...
E cada vez que se vai às urnas, é sempre mais do mesmo.
Haja cu que aguente este país.

Uma beijoka

Anónimo disse...

Olá, Miúda Gira
Eu compreendo-te, mas é mesmo demagogia. No melhor das hipóteses, não passa de um acto simbólico, pois um 13º, mesmo que elevado, multiplicado, vá lá, por 5000 indivíduos, vale o que vale para o problema da desigualdade na distribuição de rendimentos. O que é importante mesmo é que eu, tu e os que trabalham possam pagar 20, 25 ou 30% de IRS sobre os rendimentos e as entidades financeiras paguem 12 ou 13% de IRC gerando lucros avultadissímos ou os ganhos dos accionistas tenham um imposto de 0%. Isso sim, não é simbólico nem demagógico, isso são milhões e milhões de euros, para já não falar dos off-shores e de outros negócios. quando se procura o exemplo na cor da casca, normalmente estão a distrair-nos para não vermos a laranja. Um dia enviaram-me pela internet uma fotografia para descobrir onde se encontrava o barco. O barco estava bem visível ao fundo da fotografia, mas na frente da mesma aparecia uma mulher muito bonita e, pelo menos, os homens demoravam um pouco a encontrar o barco, se é que não se desinteressavam mesmo dele.
beijinhos
Galileu, Galilei

Anónimo disse...
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Pedro Monteiro disse...

Olá Lurdes!
Li o teu post com atenção. Hoje a política traduz-se em três palavras: mentira, demagogia, falsidade, daí a tua revolta pelo estado deplorável da nação.
Como sabes não trabalho no nosso país, mas como é óbvio, não deixo de estar atento a tudo aquilo que se passa no mundo, nomeadamente em Portugal.
As coisas por cá também não estão bem, seja a nível de emprego, número de desempregados, inflação, etc. etc. Tudo isto para te dizer que o povo Espanhol e a oposição são bastantes diferentes de nós, pelos menos têm-no demonstrado.
As pessoas estão convictas daquilo que está acontecer de mal ao mundo, mas continuam a não culpabilizar cegamente o governo de ser o único culpado da crise, pelo contrário, tentam unir esforços, nomeadamente a oposição, para arranjar meios de ultrapassar os problemas em conjunto com o governo
E por aí!
Vês da parte da oposição uma luta feroz para destituir o governo do Eng. Sócrates e ainda, o que é mais grave, não pela via democrática, mas sim pela via judicial. Não achas que casos como a Freeport, Face Oculta, escutas telefónicas, já enojam! Afinal a oposição o que está a fazer na Assembleia da República? A defender o povo que os elegeu ou a lavar roupa suja?
Isto sim é vergonhoso e o povo parece que não entende.
Não penses que sou um defensor acérrimo do Eng. Sócrates, mas continuo a dizer que este governo não está a fazer de todo um mau trabalho.
Porem, como a memória das pessoas continua a ser curta, já ninguém se lembra daquela desgraça que foi a governação; Durão Barroso e Santana Lopes e a ainda não havia crise.
Hoje, a oposição - e os debates são elucidativos - continua a mostrar-nos que é muito mais fácil dizer mal do governo do que apresentar soluções consistentes, por isso, não me venham cá com estratagemas dizendo que querem acabar com as injustiças. Toda a gente sabe que para a oposição, acabar com as injustiças, não implica necessariamente acabar com os seus benefícios, porque esses nunca são injustos. Para eles a palavra sacrifício é bonita, desde que sejam os outros a fazê-lo.
Hoje a oposição continua a gritar que o governo não está a fazer um bom trabalho no que diz respeito á corrupção. Pois não, porque eles não gostam que o governo persiga aqueles que reclamam pelos direitos que nunca sequer deviam ter adquirido e que lhe corte as mãozinhas evitando que eles cocem a micose nos seus empregos.
Enquanto a contestação ao actual governo se mantiver ao nível da defesa de interesses, então estamos a abrir a porta do galinheiro ao lobo, apesar de sabermos que o lobo já lá entrou várias vezes e que os resultados foram sempre desastrosos.
Beijinhos e bom fim-de-semana.

Lurdes disse...

Keratina, nós quando vamos às urnas (os que vamos), parece que tendemos a cometer os mesmos erros... (estou a falar na generalidade, claro).
Mas também, onde há alternativas?!

Galileu, tens razão em muito de que dizes mas os actos simbólicos também são muito importantes. É preciso que quem nos governe dê o exemplo (o bom, que do mau já estamos habituados). Sempre ouvi dizer que grão a grão eche a galinha o papo!
Quanto às situações de que falas, não são elas também culpa de quem legisla?!

Pedro, também eu li o teu comentário com atenção. Tens razão num ponto: não deveria ter falado apenas no governo, a oposição é tão má quanto ele. É tudo farinha do mesmo saco.
Estarei a ser injusta?! Provavelmente!
O que eu tenho a certeza é que anda muita gente a viver à custa de outros. E contrariamente ao 'povo', os políticos, já pra não falar dos ricos, acabam por não sofrer as consequências dos seus actos. É isto que eu vejo.
E embora ande muita gente neste país que não quer trabalhar, há muitos que querem levar a vida honestamente e não lhes deixam. Quem?! Basta pensar na asfixia que o governo provoca nas pequenas empresas.

Beijinhos a todos, bom fim-de-semana e bom carnaval.

Carracinha Linda! disse...

És tu e eu... cada vez o nosso país está pior!