terça-feira, março 31, 2009

PSICOLOGIA BARATA?!

Ultimamente tenho andado a matutar no mesmo... tudo na vida tem limites, ou não? E quando esses limites não são visíveis, como saber se se ultrapassaram?
Tenho perdido algum sono a pensar nisto.
Por mais que eu goste de ajudar, por mais que isso me faça sentir bem a mim, por mais que eu ache que posso ajudar os outros, não me posso impor a ninguém, não o devo fazer. E se calhar tenho-o feito. Como alguém me disse ontem, eu não posso obrigar as velhinhas a atravessar a rua pois elas podem não querer atravessar.
Na ânsia de querer mostrar que estou aqui pronta a dar uma mão, se preciso, talvez esteja a invadir a privacidade dos outros. E todos temos direito a ela. Na vontade de querer fazer bem, talvez possa estar a fazer exactamente o contrário. Na tentativa de querer ajudar, talvez esteja a pressionar alguém que não quer ser ajudado ou que simplesmente ainda não está preparado para receber essa ajuda.
E se a frase que me cativou aos 14 anos continua a fazer sentido pra mim - serás digno da liberdade na medida em que respeitares a liberdade dos outros - e continua, então é necessário ter a noção destes limites, mesmo que invisíveis.
Não é fácil. Pra mim não é. Mas urge essa necessidade. Eu sinto isso. Pra meu bem e pra bem dos que posso estar a pressionar. E quem sou eu para querer resolver a vida dos outros se tenho tanta dificuldade em resolver a minha?!?!
Todos temos os nossos timings, diferentes, descompassados. Cada um tem o seu ritmo. E o importante não é tentar saltar à vista dos outros, mesmo sendo os que mais gostamos. O importante talvez seja que esses mesmos saibam, tão só e apenas, que precisando, eu estarei aqui. Nem que seja para ficar em silêncio convosco.

6 comentários:

laida disse...

Revi-me algumas vezes aqui!!
tambem gosto muito de ajudar estou sempre pronta, mas como saber até que ponto estarei a ser uma intrusa na vida alheia...
Basta que saibam estamos aqui;
Que somos como estrelas em noites de nevoeiro, não se conseguem ver mas sabemos que estão lá!
Beijinhos

Fernanda disse...

Penso que devemos sempre dar uma
"mãozinha". Há que saber que hora... e o momento certo...
Por vezes... ao querermos ajudar... nem sempre somos bem recebidos... é certo.
Mas... não há bela... sem senão...

Bjs

Marisa disse...

Eu as x´s tenho a "mania" de me passar por psicóloga, mas deixo sempre as pessoas ah vontade para falarem até onde querem.
Eu cá faço mesmo, tb só falo até onde vejo que posso...
De qualquer das formas é sempre bom sabermos que temos alguém que está disposto a nos ouvir e tb sabermos que podemos ajudar alguém.
Quanto a mim deixo-te as portas abertas :)

Beijinhos

Carracinha Linda! disse...

Acho que é bom sabermos que podemos sempre contar com alguém. E às vezes convém ver um "sinal" da parte desse alguém. Tal como também é bom mostrarmos aos outros que estamos aqui quando for preciso.
Quanto aos tais limites e à invansão de privacidade... eu cá acho que mostrarmos que nos preocupamos com alguém não é invasão de privacidade. É sinal de amizade e carinho. Mas às vezes a reacção da outra pessoa pode não ser a melhor. Posso-te até contar o caso de uma pessoa que há cerca de 3 anos era uma grande amiga minha. Em 2007 ela foi mãe e como estava aqui no hospital mesmo ao pé do meu trabalho eu fui lá vê-la nos 2 dias que aí esteve. Depois ligava-lhe de 2 ou 3 vezes para saber se ela e o bébé estava bem. Pensava eu que entre amigas isso era normal. Comecei a notar que ela "despachava-me" quando falava com ela... Por isso comecei a não lhe ligar tanto. Um dia mais tarde contou-me que ela saiu do hospital um dia antes do filho porque ele tinha ictiricia (não sei se é assim que se escreve). Eu disse-lhe que não sabia disso e ela ficou quase ofendida por eu não saber... deve ter-se "esquecido" de me dizer isso quando eu lhe ligava para saber se estava tudo bem... Por essa e por outras coisas que se passaram acabámos por nos afastar... Fui afastada quando me preocupava e fui "culpada" por não saber do que tinha acontecido... Confesso que desde aí penso que tenho mesmo que saber a quem me posso dar ou não.

Quanto a ti Lurdes, apesar da distância eu também estou aqui para o que precisares!

Bjs

O Profeta disse...

Algures o sonho ganha forma
Gerado na fé de uma criança
Algures a maré deixa a descoberto
Uma estrela-do-mar que ela alcança

Terras, mares, o voo de uma gaivota
O aroma suave de camélia singela
Uma folha de incenso solta do ramo
Um espelho que te outorga a mais bela

Boa Páscoa


Mágico beijo

Lurdes disse...

Cheira-me que este post mexeu com algumas pessoas...

Partilhar o silêncio também é bom mas continuo a dizer que eu tenho muito jeito para a conversa!

Marisa e Carracinha, obrigada. Eu já tinha percebido que precisando podia contar com vocês. ;)

Beijinhos